sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Esquecer ou lembrar, és a questão

A perda de memória pode estar atrelada a diversas causas. Pode ser Alzheimer como minha vó, ou a uma forte pancada na cabeça, como a amiga da moça que cuida da minha vó. Nesses dois casos - os mais corriqueiros - nenhuma das "esquecidas" teve a intenção de esquecer tudo e todos.

A dita amnésia já assombrou minha família. Meu pai trabalhava de vendedor, daqueles que saem viajando em várias cidades e que só voltam para sua cidade no final de semana para ficar com a família. Bem, numa dessas viagens a trabalho ele atropelou um animal na estrada. Quem conhece meu pai sabe que ele conhece você e o mundo todo. Pois bem, o primeiro veículo que passou era um caminhão e acreditem se quiser, o motorista era um amigo dele. Enfim, seu amigo o levou para o hospital. Só que como já da para imaginar ele perdeu a memória ou parte dela. Ele só lembrava da minha mãe.

Mas deixando de lado um pouco sobre a minha vida particular vamos ao ponto central do texto. A magnífica e extraordinária perda de memória. Já perceberam como a palavra "esquecer" é frequente em nossas vidas? Seja por você não lembrar onde colocou aquele maldito objeto ou por você querer apagar aquela lembrança odiosa. Na maioria das vezes eu quero esquecer meus problemas. Sempre parece ser mais fácil que resolver. Se eu esqueço, ele deixa de existir. Não é maravilhoso? Não, não é. Esquecer seus problemas é esquecer quem é você, perder sua identidade. 

Também tem aquele amor que saiu errado, com aquele final nada agradável que todo mundo já teve. Você amou, sofreu e sentiu dor. E você implorava ao nada para esquecer a pessoa de vez. Todos nós temos nossos fantasmas que queremos esquecer. Aquelas lembranças monstruosas. E de repente você bate forte a cabeça e puf, esqueceu. "Mas eu só queria esquecer as coisas ruins e não tudo!". Veja, talvez o preço para que a gente sofra coisas boas seja sofrer coisas ruins. Quem sabe para sermos felizes temos primeiro que sermos tristes e evoluí? 

P.S.: Só para constar, meu pai recuperou a memória depois. 

sábado, 22 de agosto de 2015

Pernilongo

Me deparei com o coração molenga. Pareço cruel as vezes, mas a verdade é que sou totalmente o contrário. Se estou sendo mal com alguém pode ter certeza que essa pessoa deve ter me deixado com uma ferida enorme na qual estarei retribuindo. Há poucos minutos travei tentando matar de vez um pernilongo. Não consegui. Eu segurava sua pequena pata entre os dedos depois de ter lhe dado um tapa. Ele viveu e agora esperneava para fugir, por mais que estivesse ferido. E anti-tortura que sou fiquei angustiada com a cena. Refletia entre deixa-lo ir embora machucado ou da-lhe a misericórdia da morte. Bem, eu o soltei.

Tudo isso pode parece-lhe fútil caro leitor, mas me criou um grande problema interno. De forma automática eu saio matando os mosquitos. E sinto prazer nisso, nessa atividade cujo objetivo é unicamente tirar a vida de um pequenino inseto. Então você me diz "Quanto drama, é só um inseto, e ele incomoda bastante". Não nego que ele incomoda, mas que culpa ele tem se é assim que ele tem que ser para viver? Ele precisa se alimentar como todos os seres vivos. E ele não mata para manter-se nutrido, ao contrário de nós. Meus caros, nós sim que somos os que incomodam, que irritam.

Incômodo não é motivo o suficiente para sair matando. Já pensou se tudo nessa vida funcionasse assim? Se essa fosse a lei geral da vida? Então os humanos já estariam mortos por incomodar a mãe natureza com toda essa poluição. Mas não é bem assim que acontece. Porque? Porque criamos nossa própria lei egocêntrica achando que o mundo é nosso e que devemos moldá-lo do melhor jeito que nos convém. E esse talvez seja o nosso maior erro.