A dita amnésia já assombrou minha família. Meu pai trabalhava de vendedor, daqueles que saem viajando em várias cidades e que só voltam para sua cidade no final de semana para ficar com a família. Bem, numa dessas viagens a trabalho ele atropelou um animal na estrada. Quem conhece meu pai sabe que ele conhece você e o mundo todo. Pois bem, o primeiro veículo que passou era um caminhão e acreditem se quiser, o motorista era um amigo dele. Enfim, seu amigo o levou para o hospital. Só que como já da para imaginar ele perdeu a memória ou parte dela. Ele só lembrava da minha mãe.
Mas deixando de lado um pouco sobre a minha vida particular vamos ao ponto central do texto. A magnífica e extraordinária perda de memória. Já perceberam como a palavra "esquecer" é frequente em nossas vidas? Seja por você não lembrar onde colocou aquele maldito objeto ou por você querer apagar aquela lembrança odiosa. Na maioria das vezes eu quero esquecer meus problemas. Sempre parece ser mais fácil que resolver. Se eu esqueço, ele deixa de existir. Não é maravilhoso? Não, não é. Esquecer seus problemas é esquecer quem é você, perder sua identidade.
Também tem aquele amor que saiu errado, com aquele final nada agradável que todo mundo já teve. Você amou, sofreu e sentiu dor. E você implorava ao nada para esquecer a pessoa de vez. Todos nós temos nossos fantasmas que queremos esquecer. Aquelas lembranças monstruosas. E de repente você bate forte a cabeça e puf, esqueceu. "Mas eu só queria esquecer as coisas ruins e não tudo!". Veja, talvez o preço para que a gente sofra coisas boas seja sofrer coisas ruins. Quem sabe para sermos felizes temos primeiro que sermos tristes e evoluí?
P.S.: Só para constar, meu pai recuperou a memória depois.