sábado, 22 de agosto de 2015

Pernilongo

Me deparei com o coração molenga. Pareço cruel as vezes, mas a verdade é que sou totalmente o contrário. Se estou sendo mal com alguém pode ter certeza que essa pessoa deve ter me deixado com uma ferida enorme na qual estarei retribuindo. Há poucos minutos travei tentando matar de vez um pernilongo. Não consegui. Eu segurava sua pequena pata entre os dedos depois de ter lhe dado um tapa. Ele viveu e agora esperneava para fugir, por mais que estivesse ferido. E anti-tortura que sou fiquei angustiada com a cena. Refletia entre deixa-lo ir embora machucado ou da-lhe a misericórdia da morte. Bem, eu o soltei.

Tudo isso pode parece-lhe fútil caro leitor, mas me criou um grande problema interno. De forma automática eu saio matando os mosquitos. E sinto prazer nisso, nessa atividade cujo objetivo é unicamente tirar a vida de um pequenino inseto. Então você me diz "Quanto drama, é só um inseto, e ele incomoda bastante". Não nego que ele incomoda, mas que culpa ele tem se é assim que ele tem que ser para viver? Ele precisa se alimentar como todos os seres vivos. E ele não mata para manter-se nutrido, ao contrário de nós. Meus caros, nós sim que somos os que incomodam, que irritam.

Incômodo não é motivo o suficiente para sair matando. Já pensou se tudo nessa vida funcionasse assim? Se essa fosse a lei geral da vida? Então os humanos já estariam mortos por incomodar a mãe natureza com toda essa poluição. Mas não é bem assim que acontece. Porque? Porque criamos nossa própria lei egocêntrica achando que o mundo é nosso e que devemos moldá-lo do melhor jeito que nos convém. E esse talvez seja o nosso maior erro.

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