Palavra é o pior tipo de criminoso: aquele que comete o crime mas sempre escapa da pena. Mas talvez ao certo ela seja a vítima. Ela não escolhe ser pronunciada. Somos nós, meus caros. Porque é tão naturalmente humano não assumir a culpa e coloca-la em alguém ou algo qualquer, mesmo abstrato. Eu as vezes culpo as palavras de coisas que não convém. Se um amigo me diz que sou covarde eu fico chateada e me afasto do mesmo. Logo, se a palavra covarde não existisse eu não teria sofrido esse descontentamento. Mas ela não tem culpa de ser dita pelo meu amigo, ou ex-amigo - essa questão não me cabe agora. Ademais não posso culpar meu amigo pois é provável que eu seja mesmo covarde. E então não poderei odiá-lo por me jogar a verdade. Mas poderia ficar magoada por sua sinceridade e, de forma infantil, desfazer a amizade. És o poder da palavra, destruir e construir.
Pare para pensar. Quantas vezes nesses milhares de anos em que o homem viveu, guerras, mortes e violência não foram propagadas ou evitadas por um simples "Sim" ou "Não". E há quem diga que palavra não tem poder. Nunca vi arma mais forte. Tudo que há neste mundo está ligado a ela. Do pior ao melhor objeto ou ser. Tudo tem nome, não há para onde fugir. Nosso mundo é um labirinto sem saída cujas paredes é formada por nossas sentenças, nossas palavras.
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